Gestão

O que aconteceu com o apagão da nuvem da Amazon Web Services (AWS)

O apagão da nuvem da Amazon expôs a vulnerabilidade de grandes empresas e mostrou o impacto da dependência digital. Entenda o que aconteceu, quem foi afetado e como proteger o seu negócio de falhas como essa

Por Redação Space Edu — São Paulo

Última atualização – 02/04/2025 às 17:18

Acompanhe os principais insights do mundo dos negócios no nosso canal do Whatsapp

Na manhã de 20 de outubro de 2025, aconteceu um grave incidente de interrupção nos serviços da Amazon Web Services (AWS), unidade de nuvem da Amazon, que afetou diversas plataformas, empresas e usuários ao redor do mundo. 

O que se sabe até agora?

A falha ocorreu principalmente na região US-EAST-1 (Virgínia, EUA), onde a AWS registrou “taxas de erro aumentadas e latências elevadas” em múltiplos serviços.

Em especial, foi identificada uma falha no endpoint do banco de dados da AWS, Amazon DynamoDB, que registrou “significant error rates” para requisições.

A interrupção afetou tanto serviços internos da Amazon, como seu site, Alexa, Prime Video, quanto clientes que utilizam a infraestrutura da AWS.

Segundo relatos, o incidente não foi causado por ataque cibernético, mas por problemas internos de infraestrutura da própria AWS.

O período de maior impacto durou algumas horas, com recuperação gradual ao longo da manhã no horário dos EUA.

Por que isso importa?

A AWS é uma das maiores plataformas de infraestrutura em nuvem do mundo. Quando ela apresenta falhas, o efeito cascata atinge muitos negócios que dependem da nuvem para hospedagem, aplicações, bancos de dados, autenticação, serviços de back-end etc. 

Essa dependência gera um risco conjunto: quanto mais centralizada a infraestrutura, maior o impacto quando algo falha.

Empresas afetadas e prejuízos potenciais

Quem foi atingido

A falha da AWS não atingiu apenas uma empresa ou setor, o impacto foi amplo:

  • Jogos online e entretenimento: Fortnite, Roblox e outros relataram interrupções.

  • Finanças e cripto: Plataformas como Coinbase, Robinhood e outras tiveram impacto.

  • Bancos no Reino Unido: Lloyds Bank, Bank of Scotland e Halifax relataram falhas de acesso por conta do incidente da AWS.

  • Serviços de telecomunicações, governo e outras infraestruturas digitais também foram afetados.

Possíveis prejuízos para as empresas

Para empresas que dependem da nuvem (como quase todas hoje), os prejuízos podem se apresentar de diversas formas:

  • Parada de operações: se a aplicação ou serviço online ficar inacessível, há perda imediata de usuários, vendas e credibilidade.

  • Impacto financeiro: receita perdida durante o período de downtime + custos extras para correção de falhas, atendimento ao cliente e reconciliação.

  • Reputação: clientes e parceiros podem perder confiança, o que gera efeitos de longo prazo.

  • Custos de recuperação: após o incidente, há trabalho adicional para restabelecer normalidade, testes, auditorias, eventuais multas ou compensações.

  • Risco cumulativo: se a empresa depende de um único provedor de nuvem e esse provedor falha, fica vulnerável.

  • Efeito dominó para cadeia de valor: mesmo que seu serviço em nuvem pare por horas, as consequências se propagam, logística, suporte, vendas, marketing podem sofrer.

De fato, em incidentes anteriores da AWS, por exemplo em 2017,  foram estimadas perdas de centenas de milhões de dólares para diversos clientes.

Para empresas no Brasil ou que atuam internacionalmente, essa é uma chamada de atenção: mesmo que a falha não seja “a sua nuvem”, se você depende de um ecossistema global você pode sentir os impactos.

Como empresários podem se proteger de apagões na nuvem

Dada a vulnerabilidade que estes eventos revelam, aqui vão estratégias práticas para reduzir risco:

  1. Estratégia multi-nuvem ou híbrida

    • Não coloque “todos os ovos na mesma cesta”. Considere ter parte da infraestrutura em outro provedor (Microsoft Azure, Google Cloud Platform) ou um ambiente on-premise de fallback.

    • Avalie dependências críticas: banco de dados, autenticação e arquivos. Defina quais serviços são “não podem parar” e planeje alternativas.

  2. Plano de contingência e recuperação (Disaster Recovery)

    • Tenha um plano documentado de como reagir a uma interrupção de nuvem: como redirecionar tráfego, como acionar backups, quem avisa clientes.

    • Faça testes periódicos de falha (simulações) para garantir que os procedimentos funcionam.

    • Exija de seus provedores de nuvem informações de SLA (Service Level Agreement) e as implicações da falha.

  3. Monitoramento e alertas proativos

    • Implemente sistemas de monitoramento que detectem anomalias de latência, erro, disponibilidade. Quanto antes souber, melhor poderá agir.

    • Assine status pages dos provedores (ex: dashboard da AWS) para acompanhar incidentes em tempo real.

    • Notifique stakeholders internos e externos rapidamente em caso de falha — comunicação transparente reduz dano de reputação.

  4. Definir níveis de criticidade e segregação de serviços

    • Classifique seus sistemas: missão-críticos, importantes ou auxiliares. Alocar maior redundância nos críticos.

    • Mantenha serviços não-críticos (ex: sistema de newsletter) externos ou em infraestrutura separada para que falhas maiores não afetem tudo.

  5. Backups regulares e validação de restore

    • Além de backup, é vital testar a restauração. Um backup que não funciona é praticamente inútil.

    • Verifique que seus dados, logs e configurações podem ser restaurados rapidamente em outro ambiente, se necessário.

  6. Contrato e relacionamento com fornecedores

    • Negocie cláusulas que especifiquem responsabilidades em caso de downtime grave, como suportes, créditos ou indemnizações.

    • Avalie a saúde e histórico do provedor de nuvem: veja se há históricos de falhas frequentes ou má comunicação.

  7. Comunicação com clientes e usuários

    • Se for ocorrer uma interrupção, comunique de forma clara e rápida. Usuários entendem falhas, mas detestam falta de informação.

    • Tenha mensagens padrão preparadas para eventos de indisponibilidade, redução de performance etc.

  8. Avaliação de custos vs. risco

    • Redundância e contingência custam. Cabe ao empresário balancear custo vs. risco.

    • Em determinados modelos de negócio, a tolerância a downtime é mínima (ex: fintechs, e-commerce em datas de pico). Para outros, o impacto pode ser menor. Identifique onde você está.

 

Conclusão 

O apagão da nuvem da AWS é um alerta para todo empresário: mesmo a infraestrutura mais robusta e “legendária” pode falhar. O efeito dominó pode atingir seu negócio, seus clientes e sua reputação.

Se você lidera uma empresa que depende de tecnologia, vendas online, ou armazenamento e serviços em nuvem, não basta esperar para ver se algo vai dar errado. O momento de se proteger é agora.

Você não precisa enfrentar isso sozinho. Pensando exatamente em situações como essa, participe do Programa Escala de Negócios, uma imersão projetada para empresários que querem estruturar, escalar e blindar seus negócios para eventos imprevistos.

Publicidade

Conteúdos relacionados

Publicidade

Compartilhe: