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Entenda como uma campanha simples gerou polêmica, afetou a marca e revelou aprendizados cruciais sobre marketing, influência e risco
Por Redação Space Edu — São Paulo
Última atualização – 06/01/2026 às 12:00
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No fim de 2025, a Havaianas lançou uma campanha de virada de ano com a atriz Fernanda Torres. A mensagem era simples, bem-humorada e com cara de frase que vira bordão: “não comece 2026 com o pé direito… comece com os dois pés” — “na porta, na estrada, na jaca… onde você quiser”.
O problema é que em um país hiperpolarizado, uma expressão popular (“pé direito”) virou gatilho de leitura política. E o que era para ser apenas criatividade e espírito de Ano Novo se transformou em debate público, pedido de boicote, memes, cobertura internacional e até ruído no mercado financeiro.
Neste artigo, relembre o que aconteceu e veja quais lições tirar do episódio havaianas — com aprendizados práticos para empresários e profissionais de marketing.
A peça foi lançada para a virada do ano e apostou em um jogo de palavras: em vez de desejar “pé direito” (sorte), a atriz defende começar o ano com atitude, movimento e entrega, “com os dois pés”.
Na prática, é uma mensagem de protagonismo: menos superstição, mais ação.
A controvérsia começou quando parte do público interpretou a frase como indireta contra a “direita” (o campo político). A leitura ganhou força com críticas e chamados de boicote feitos por políticos e influenciadores. A discussão saiu do Instagram e foi parar em portais, vídeos, debates e manchetes.
O efeito foi tão grande que a história chegou à imprensa internacional, que descreveu o episódio como um “cancelamento/boicote” motivado por uma interpretação política do texto do comercial.
Quando uma crise nasce em rede social, ela costuma evoluir em três camadas:
No caso, houve até reflexo em mercado: reportagens apontaram queda e perda de valor de mercado da controladora Alpargatas (ALPA4) no período, associadas ao ruído e ao boicote anunciado.
Independentemente de posição política, o ponto empresarial é direto: a marca pode virar campo de batalha, mesmo quando a intenção original não era política.
Brand safety é mapear como uma mensagem pode ser interpretada em recortes diferentes. A frase era simples, mas tinha um termo sensível no ambiente cultural daquele momento.
Aplicação prática: antes de aprovar uma campanha, rode um “teste de ambiguidade”:
Hoje, o público não consome só produto, mas também o “significado” do produto. Em ambiente polarizado, qualquer metáfora pode virar bandeira.
Aplicação prática: defina se sua marca quer ser:
Uma campanha pode ser ótima para um público e virar ruído para outro. O erro comum é tratar o país como um único grupo.
Aplicação prática: valide com amostras reais:
Se a mensagem “quebra” em um desses, você descobre antes de publicar.
A escolha de uma personalidade sempre vem com camadas de interpretação: história, falas passadas, associações do público e recortes de imprensa.
No caso, críticos também usaram a figura pública como argumento para reforçar a leitura política, independentemente da intenção da campanha.
Aplicação prática:
Quando a narrativa começa a ser definida, a marca precisa enxergar o que está acontecendo antes de “virar manchete”.
Aplicação prática:
Muita empresa só pensa em resposta quando já está queimando. Plano de crise é decidir antes:
Detalhe importante: às vezes, o melhor movimento é não inflamar e deixar o ciclo de notícias passar — desde que você tenha monitoramento e cenário claro.
Existe barulho que destrói e barulho que amplifica. A diferença é: a marca tem estrutura para segurar o tráfego, a curiosidade e a conversa?
A campanha mostrou uma verdade incômoda: até um trocadilho pode virar crise. Não porque a publicidade “não pode brincar”, mas porque o ambiente cultural mudou: interpretações competem, recortes viralizam e narrativas se formam em velocidade.
Se você é empresário ou profissional de marketing, a lição é estratégica: planeje mensagem, risco, público e execução com o mesmo nível de seriedade.
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